domingo, 28 de setembro de 2008

:: Na ponta da pedra


Lá do alto...
Do alto da ponta da pedra


Eis meu salto
Meu medo concentrado
A emoção, e as batidas rápidas do coração



Seca-se a boca
Dilatam-se as pupilas
Treme-se as bases


Do alto, a queda...
Do alto da ponta da pedra
A queda...



Lá embaixo, o lago tranquilo...
Um monte de tranquilidade...
Desequilíbrio, vertigem!



Eu paro, olho e não penso
Um não a razão!



Já saltei?
Já saltei...
Já saltei!


A queda é a certeza da emoção
O medo se contorce na queda


Atinjo o lago, o medo se foi
Mas o coração contínua a bater
Estou vivo, mais vivo do que nunca!



E só tenho a aguá que me molha o corpo
E a certeza de outro salto, louco!

~ Vento

Ah se pudesse ser como o vento
Voaria pra longe daqui
Rápido e rasteiro
Vento invisível
Vento indomável
Voaria pra longe daqui
Voaria além das nuves
Além dos limites da cidade
No escuro, no frio das montanhas
Entre as florestas
Entre as pedras e o cais
Vento frio, invisível...
E ela não me viria chegando
E antes de fechar a janela
Eu entraria no seu mistério, na sua solidão
Que vento frio e gelado!
Suspiro em seus ouvidos
Como é bela, como é linda...
Pode fechar a janela!
Pronto! é o suficiente!
Posso me tornar homem novamente
Seco suas lágrimas
E encontro calor
O vento lá fora
E cá dentro, o amor.

sábado, 20 de setembro de 2008

, Filosofia de baR


Faça sua vida valer a pena, pois por incrível que pareça, um dia você não estará mais aqui.



Hoje, voltando pra casa, após uma conversa eu percebi... um dia eu estarei morto. Não importa o que eu faça, o que eu tome, o que eu construa, o que eu cative, não importa... um dia eu serei um mistério. Um dia farei parte do maior mistério de todos e ,você , que me lê, também o fará! Você também deixará de existir neste mundo. Peço desculpas pelo assunto abordado, mas tomara que existam mãos carregando seu corpo frio, sem vida. Digo tomara porque supostamente você gostaria que todos os seus familiares, amigos e conhecidos fossem ao seu enterro... imagina... só o coveiro?! Ia ser uma bosta.



Que no meu enterro tenham lágrimas, muitas lágrimas! Mas que sejam lágrimas de saudades. Quero morrer velho e feliz, e se possível dormindo, e se possível tendo um sonho bom, e se possível com uma boa velha senhora do meu lado, e se possível que ela vá junto comigo, no mesmo segundo e se possível... e se possível eu não morrer? impossível.



Não é engraçado isso? Veja, é possível que eu me lembre desse texto caso exista algo depois dessa vida, imaginem... eu lendo meu próprio texto sobre meu presente mistério... meu presente mistério as 2:39 da mãnha do dia 20/09/08.



E naquele outro lugar? o pós vida? existirá um outro mistério?



Olhando por outro aspecto podemos pensar que aqui seja o início e o fim. Nada, absolutamente nada acontecerá depois da morte, você apagará, não terá consciência de si, você já não sente dor, tristezas, alegrias, angústias, desejos, anseios, esperanças... nada. Tudo se foi no teu último suspiro.



Já pensou nisso? Em que prefere acreditar?




Mas o ponto que quero abordar na verdade não é a morte em si, mas a vida. Hora, se um dia chegarás ao fim o que está fazendo da sua preciosa vida? Ela é única, mais rara do que qualquer outra coisa, ela passa e não se pode voltar atrás, cada momento, cada batida do seu coração, cada olhar, do menor gesto aos maiores atos, tudo é preciosamente único.

Sua vida é um quadro, e quando nasce ele começa a ser pintando, mas principalmente quando toma consciência de si, é nesta hora que você se torna um mestre pintor, o artista e o personagem, você se torna diretor e ator. Você é dono do teu diamante-vida.

Ator principal ou mero coadjuvante?

Pense bem... como vive sua vida? O perigo da sua existência está em jogo, como vive o seu personagem-vida? Análise do acordar ao dormir, sua rotina... análise cada dia da semana, cada momento do seu existir e responda:

É isso o que eu quero da minha vida?

Veja bem, se a resposta for não, comece a se preocupar, muito.

http://br.youtube.com/watch?v=GSKL5E3zSjs

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

:: O despertar

E se pudestes te reiventar?
E se a cada noite
Ao fechar teus olhos
Esquecestes de quem és?
E, ao despertar
Tua primeira tarefa seria escolher o que serás no teu dia...
Serás um Bom Vivant
Serás um louco desvairado
Serás um tímido elegante
Serás um exímio negociante
Séras um galanteador, um conquistador...
Serás padre
E noutro dia pecador!
Serás tudo aquilo que sonhas nos teus sonhos!
Deixarias tua vida morna e tediosa?
Deixarias tua rotina medíocre e te lançarias como estrela cadente?
E se um dia, ao fechar teus olhos
Esquecestes de quem és?
Toda manhã acordaria para o pior dos pesadelos?
Ou para tudo aquilo que querias ser
Em teus mais profundos desejos...

domingo, 14 de setembro de 2008

:: Domingo

Domingo odioso!
Fajuto, fraudulento!
Deverás ser expurgado do calendário, do pensamento dos vivos!




Não passas de um primo distante do tão adorado Sábado
Não passas da ressaca
Não passas da lembrança de uma nova semana





Domingo desgraçado!
Quem te criou?
Os diabos te criaram!





Pai insano da desgraçada Segunda!
Você, pobre Domingo!
Você que pariu a Segunda-feira!



É por isso que sonho com teu fim!
Maldito Faustão, maldito Liberato
Maldito sejas tu, Domingo cruel!





Antes a Quarta do que o Domingo!
Antes a cara da mentira do que tu, Domingo cruel!





Pois se não respirasse Domingo desgraçado...
Se não respirasse...



A Segunda teria seu fim.

:: Céu de baunilha

Que és?
Não sou de plástico
Não fui feito para durar
Sou pele, osso e alma
Mais alma do que pele
Mais alma do que osso
Sou calabouço
Sou cadeado
E no precipício lançaram minha chave
E eu me lancei ao nada
Estou caindo
O solo está tão longe
Me acostumo com o cair
Mas tudo passa tão rápido
Mais rápido do que posso compreender
A queda não cessará
Até que encontre a chave do meu cadeado
E então, quando a tiver em mãos
Deixe-me encontrar o chão
Deixem-me...
Pois o chão é apenas o fim
De um novo começo que está por vir.

:: Pensamentos soltos "dos"

, Aeroporto
O que é o aeroporto, perguntou a curiosa criança.
O aeroporto é o lugar onde as pessoas vão e vem, vem e vão. Da Roma ao Chile, de Nova Iorque ao Egito.
No aeroporto pode-se encontrar a loira parisiense, elegante e cheirosa. O surfista bronzeado ruma a Galápagos, o empresário e seu fino terno italiano.
No andar de baixo do aeroporto as pessoas desembarcam na velha e conhecida cidade. No andar de cima elas embarcam rumo aos quatro cantos do mundo.
A criança atenta olha pela janela do aeroporto... as pesadas estruturas levantando voo:
Decoooolaaaar!!!!
Mais incrível do que ver aquela engenhoca humana no ar é o pensamento da criança:
Mas para onde vão as pessoas dentro do avião?
Tantas vidas no avião...
O empresário para Nova Iorque
A garota para a Grécia
O estudante para a Austrália
O cantor para Londres
Tantas vidas no avião...
Mas a criança ali contínua, olhando pela janela o avião que desaparece no horizonte... Sonha em conhecer o mundo, o mundo sonha em abraçar a criança.
Para onde vai aquele avião, pergunta a criança.
O pai não sabe ao certo mas prontamente responde:
- Ahh!! aquele vai para a Índia, o outro para o Canadá e quele para a Espanha!
Pai! Eu quero ir também, quero conhecer o muuundo!
O pai sorri e diz:
- Um dia meu filho, um dia...
+
O aeroporto é um lugar de muitas línguas, um lugar onde moram bons sonhos humanos, os sonhos do aventureito, do viajante, dos negócios... e de belas aeromoças.
E então, lá estava eu, recepcionando as pessoas que vinham de longe, mas na verdade gostaria de ir embora da cidade velha e ser recepcionado em algum outro lugar do mundo. Ao desconhecido, não sei... sei que minha alma é como o da criança acima, que olha pela janela do aeroporto...
O mundo lá fora, que mundão! Minha casa é a terra, o mar e as nuvens... Não sirvo prum canto só, esta na minha natureza humana: voar além dos limites da cidade.
Pois Deus deu asas aos homens, mas o homem insiste em construir sua confortável gaiola. Suas asas atrofiam-se e nenhum grande sonho vive sem
asas.

:: Pensamentos soltos

,O náufrago
Com o que começar? Primeiro com os meus pensamentos soltos, perdidos em alto mar... onde a esperança do náufrago é ser encontrado em meio ao mundo solitário das águas salgadas.
Para onde vão as lágrimas? elas não secam, vão para o mar. No mar o náufrago tenta manter sua esperança, e é essa a esperança dos meus pensamentos... estarão eles condenados ao sol, as ondas furiosas, as tempestades e finalmente a morte certa?
Ou meus pensamentos encontrarão refúgio em alguma ilha... deserta?
espero que não... espero.

:: Pq?

Daquele que não ousa questionar como uma criança o faz, está morto! mais morto do que o próprio defunto, este, que já não pode se dar ao luxo de pensar.