,O náufrago
Com o que começar? Primeiro com os meus pensamentos soltos, perdidos em alto mar... onde a esperança do náufrago é ser encontrado em meio ao mundo solitário das águas salgadas.
Para onde vão as lágrimas? elas não secam, vão para o mar. No mar o náufrago tenta manter sua esperança, e é essa a esperança dos meus pensamentos... estarão eles condenados ao sol, as ondas furiosas, as tempestades e finalmente a morte certa?
Ou meus pensamentos encontrarão refúgio em alguma ilha... deserta?
espero que não... espero.

Um comentário:
Naufragamos. Estou com você nesta ilha, não existem animais e nem frutas. Você está louco. Bebeu água do mar e ficou desidratado. Cheirou areia seca e ficou tonto. Você tem uma chance: Pode me matar e fazer churrasquinho de carne humana (Tudo bem, você tem gasolina e um isqueiro). Mas você tem uma outra opção, deitar na areia pela manhã em posição de morto no caixão, segurar em uma mão o isqueiro e na outra o pequeno vasilhame de gasolina e assim cometer o suicídio engolindo a sua própria língua. Não admiti, durante os primeiros dias da dor e raiva da morte peguei o isqueiro e o vasilhame e joguei ao mar. Seu corpo eu deixei sentadinho encostado em uma árvore frio e duro de olhos abertos para que eu pudesse conversar com você todos os dias e achar que ali existe vida além de mim. Fiquei louco, bebi água do mar e me desidratei, cheirei areia seca e fiquei tonto. Herói dos burros, mas Herói. Herói admirado por mim até o dia da minha morte. Dia em que morri afogado no mar, tentando resgatar o isqueiro e o vasilhame que as ondas não trouxeram de volta. Queria fazer churrasquinho de carne humana para me salvar.
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