terça-feira, 25 de novembro de 2008

:: Prenda-me

Por que não fui condenado?
Por que os juízes não me puniram?
Por que os deuses não me acusaram?

Sim! Fui condenado a liberdade
A única liberdade que recusaria ter
A liberdade do coração


Ontem, hoje... amanhã?
Sem essa doce escravidão
Vivo os dias longe do cárcere
Solto, só.
Em minha amarga liberdade
Em minha amarga solidão.

domingo, 23 de novembro de 2008

:: nn

Se não pude te beijar
Se não pude te tocar
Se não pude voar até aí...

Deixa ao menos me iludir
Longe de ti.
Parto, sem ao menos saber se poderia dar certo.

Eu não queria partir.

:: Bora dormir


Só queria ir embora
Ir por uns tempos
Sumir de qualquer lugar
Cortar os ponteiros do tempo

Queria poder encontrar
O perdido dentro de mim
O universo chamado mim

Cair em algum lugar
Eu só queria encontrar
Mim, eu.
Onde você está?

:: Outra semana


Mais uma semana se aproxima...
Velha rotina
Uma nova segunda?
O mesmo céu

As mesmas caras
Sem nada, vazias
Desejos?
Esquecidos na cama
Nos travesseiros


Tudo se repete
Num filme monótono
Repete, repete...
Repita?
Monotomia

A mesma pequenez
O rolo projeta
Um história sem vida

Mais uma vez
Uma semana se aproxima.

Só, calado.
Um mar de solidão
Vazio, sem motivo.

Tanto faz
Tudo é cinza
Ela se foi,
Nem mesmo veio.

Tudo é cinza.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

:: Angústia


Angústia que bate na porta
Bati sem motivo, bate sem saber
Mora na alma de todos

E no meio de uma tarde qualquer
Ela vem sem mais nem menos
A angústia não se pode dizer, não da pra ver
Só se sente, sem motivo algum

A angústia da liberdade humana
Do poder escolher.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

:: Sim ou não?


Chega uma hora que é a hora de decidir
Chega um momento que precisamos optar
Optar pelo sim ou pelo não
Definitivo.

Optar pelo certo ou pelo incerto
Chega uma hora que é hora de recolher a âncora
Partir do porto seguro e enfrentar o mar

Chega uma hora que as velas do barco querem lamber os ventos
As gaivotas convidam o aventureiro
Cabe ao aventureiro decidir

Um marujo que reclama emoção sem parar
Dentro do peito arranca o medo
Mas trás novo medo
Contradição.

Chega uma hora que é hora de decidir
Ouvir o marujo ou abortar a missão?

Cabe a mim decidir
Ouvir o marujo ou não?
O marujo ousado, o coração.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

:: O homem condensado


O homem condensado
Em uma lata hermética, sem luz,
Sem poder esticar as pernas, ou olhar para o lado
Não tinha lugar nem pra crescer os cabelos,
O movimento era pequeno, controlado
Mas dentro do espaço criou uma navalha afiada
E deu a ela o nome Ciência, Razão.


Em milênios cortou aquela tampa pesada
E muitos morreram na colossau empreitada
Um trabalho, digno de gigantes, destruir ciclópes e angariar amantes


Ao sair, o destemido, surrado, pode então se questionar:
Como consegui tanto tempo condensado, parado neste minúsculo lugar?
Sim! afirmava com os olhos
Eu era um macaco!


E aquela alegria contagiante
Em pouco tempo deu lugar a uma nova angústia
Lágrimas corriam em seu semblante


Pobre homem…
Ao olhar para o lado se deu conta
Estava em outra lata, maior e mais espessa que a outra


Transtornado só pode ouvir uma voz de fundo
Que em gargalhadas soprava:
Prepara-te ser pequeno, constrói outra navalha!






http://www.youtube.com/watch?v=SpnvucCF-Io

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

˜ A Espada e o Coração

Aperta o peito contra a espada
Escorre o sangue contra a arma
Sinta a ponta, aos poucos, tocar o coração...
Agora beija os lábios dela, sem qualquer moderação.

Que puras verdades residem em sua vida?

Você não é, raras vezes foi teu SER, o teu querer.

Vive de mentiras, se engana a cada segundo, cego, ruma ao precipício.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

:: Emplasto Makibaster


Indagação as supremacias
Superação do próprio ser
Queimar-se nas próprias cinzas
Crer.


O atributo da alma é o tributo da carne
Quente, rente, fervilhante.
Longe do desmerecido, próximo ao desconhecido
Enfurecido, brilhante!


Estourar a campainha, extrair a ampulheta
Escalar os meus hospícios
E encarar os precipícios


Sinta o perfume das asas, cuidado ao se debruçar!
Veja! lá embaixo... contemple as alturas!
Um ser humano pode voar!

sábado, 1 de novembro de 2008

:: Criançar






Perderam aquelas crianças
Que antes habitavaM suas almas
Hoje não acreditam em muitas coisas
Acreditam no reto e inflexível


Quebraram-se os galhos, mataram os acontecimentos
Lamentavelmente apenas bebem, perderam suas crianças.

E o que fazer de mim?
A gangorra pende de um lado
Virei o vento das folhas
O ninho inabitado

Com quem brincar?

Sorte a minha criança!
Invento personagens
Personagens de mim mesmo
Estes que sabem brincar
De acreditar, de ser feliz
Vou voar por aí, brincando de sonhos e mundos impossíveis

A criança em mim não morre
Insiste em me conquistar.