sexta-feira, 14 de novembro de 2008

:: O homem condensado


O homem condensado
Em uma lata hermética, sem luz,
Sem poder esticar as pernas, ou olhar para o lado
Não tinha lugar nem pra crescer os cabelos,
O movimento era pequeno, controlado
Mas dentro do espaço criou uma navalha afiada
E deu a ela o nome Ciência, Razão.


Em milênios cortou aquela tampa pesada
E muitos morreram na colossau empreitada
Um trabalho, digno de gigantes, destruir ciclópes e angariar amantes


Ao sair, o destemido, surrado, pode então se questionar:
Como consegui tanto tempo condensado, parado neste minúsculo lugar?
Sim! afirmava com os olhos
Eu era um macaco!


E aquela alegria contagiante
Em pouco tempo deu lugar a uma nova angústia
Lágrimas corriam em seu semblante


Pobre homem…
Ao olhar para o lado se deu conta
Estava em outra lata, maior e mais espessa que a outra


Transtornado só pode ouvir uma voz de fundo
Que em gargalhadas soprava:
Prepara-te ser pequeno, constrói outra navalha!






http://www.youtube.com/watch?v=SpnvucCF-Io

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