Passos sem rastros
Beijos vazios
Promessas deixadas de lado...
Anseios sem meios, realidades indesejáveis, concretas, frias.
Paredes intransponíveis.
Outra noite desprende da sua vida
Sem teto, sem rumo, sem esperança.
Tanto faz se quebrar o prato ou entortar o talher
A comida estará sempre fria, insossa e paga com a vida,
A vista e aos juros da morte.
Espere um novo dia, olha pro espelho, encara tuas pupilas
Levanta com vontade de dormir tudo de novo.
Quem sabe, ao abrir tua janela, as casas já não estejam lá...
Os edificíos e os tijolos e as ranhuras na parede... o papagaio deixou de cantar?
Nada esteja lá.
Quem sabe um novo mundo se abre.
Até onde sua vista alcançar.
Não! Esbraveja o despertador
Tua doce ilusão
Acorda! Vai trabalhar e faz tudo de novo
E de novo, sua maquininha de calcular
Levanta com essa cara de bunda
Essa face atormentada
Essa vontade de desaparecer
De esquecer de si mesmo, sem lembranças qualquer.
Mas alimenta tuas esperanças...
Pra sucumbi-las novamente.
Tua mente cria estratégias
Pra tentar te deixar suportar
Tua mente cria castelos de areia
E permite adornar
Mas não tarda a tormenta te lembra:
È assim, como sempre foi, assim será.
E lá vem ela...
E destrói a onda do mar.
Esse castelinho fajuto.
Como ousas fazê-lo voar?
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