De dia sou um cão feroz, babante, com os pelos tosados e as patas andantes. Ao entardecer uma manobra cuida de me tornar um cão, desta vez feroz. Nas primeiras estrelas dessa cidade imunda eu me torno a besta, não tenho chifres nem uso escapulários, eu sou apenas a sombra do dia, ou seria no dia que gero a sombra da noite?
Eu sou um vampiro que suga o sangue quente de mim mesmo, não preciso do seu pescoço, caro leitor, eu preciso apenas do seu sorriso e sua companhia, as vezes.
Tantas outras prefiro andar queto, calado, observo a manada de cordeiros, de carneirinhos voltando pro lar. Um bando de larvas, eu sou o corvo. Mas engana-se aquele que pensa mal do corvo, do morcego e da coruja. São todos passáros divinos, esculpidos por mãos de platina.
Enquanto dorme sua noite sossegado eu rezo para que um convite me lamba a face, uma vontade de sair dessa cadeira barulhenta e topar um convite de meu id... pra noite onde tudo pode apenas acontecer.
Eu quero, e não falho.
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