Uma parte de mim se despede, sente saudade da terra quente e pecaminosa. Sente falta do cheiro do mato, do capim santo, do sorvete e do ar delicado. Sente necessidade de ver o sol nascer noutra obra fantástica, noutro ar surreal e sublime. Sente falta das mulheres cheirosas, dos olhares atravessados, das necessidades do macho.
Outra parte por aqui reside, é forte e sente falta do ar poluído, do caos da cidade, do movimento contínuo, da busca pelo maço, dos passos aterrorizados, do jeans, do barulho e do diesel queimado. Sente necessidade da correria do capital financeiro, das antenas e para raios. Sente o sangue correr mais rápido, das mulheres de traje pesado, do farol e das constelações de prédios, gigantes, enfurecidos. Desses humanos emputecidos.
Eu sou esses dois espíritos, essas duas almas errôneas, loucas pelo desconhecido. Lutam em constante harmonia. É isso o que sou, esse favorito dualismo, essa rinha de galos, sou tudo e mais um pouco, num mágico mistério proporcionado pelo mel da vida, as vezes doce, as vezes amargo.
Esse eterno choque de mim mesmo comigo mesmo.
Dualismo.
Pluralismo.
Num ser único, num sorriso, depois da lágrima, o sal.
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