Minha vontade é desaparecer novamente, como faço as vezes eu sumo de mim mesmo. Nem quero me encontrar, mergulho em qualquer pensamento comparado a nada. Então, como é bom ser burro, sem orelhas, sem olhos e paladar. Eu já não tenho o que destruir, sou o pós-explosão-atômica. Nem se quer sou a devastação, nem a nuvem molhada. Sou um velho comprimido em papiro, esqueceram de me enterrar, se quer sabem me traduzir.
Eu viro rapidamente gosma de barata tonta, apertada contra o chinelo de borracha e o chão de marmore, botão quebrado, água parada, final de carnaval, fim de verão, final de sonhos, desilusão.
Assim eu respiro melhor, dentro de mim me conheço melhor.
Essa rotina desrotinada, de repente uma mulher me liga pra comer caqui em Trancoso. Eu vou, tenho certeza que sim.
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