sexta-feira, 9 de abril de 2010

Bela bosta

Bela bosta o que fizeram, criaram twitter, blog, orkut, tênis com amortecimento de impacto, ipod, iphone, ipad, criaram Vogue, Tv digital Rai Definition, com incríveis 13 mil linhas horizontais por 16 mil...
Criaram celular com câmera 8 mega piquixeus alta definição, é tudo alta, é mega!
Mas que bela bosta que fizeram...
Criaram tanta merda apenas para agilizar o sistema, é claro.
Criaram remédios também... criaram anti depressivo, segundo estudos as pessoas andam cada vez mais depressivas... mas que merda está acontecendo nesse lugar?
Criam tantas coisas mas nada que realmente importa.
As pessoas estão mais burras, mas sabem operar um computador!
Vão criar seus bostas, é tempo de criar! nessa velocidade de bosta que eu não consigo acompanhar. Quem está enxendo o cu de dinheiro...?
Eu quero dinheiro, quero encher o cu de dinheiro também, que se foda!
É isso... dinheiro é deus.
O foda é ter que trabalhar como um verdadeiro fudido e não poder ter tempo pra nada. Chego em casa todo cansado, acabado querendo deitar. Porque meu trabalho me esgotou.
Pra ganhar dinheiro eu preciso trabalhar, trabalhar cada vez mais pra quem sabe encher o cu de dinheiro... esperença no dinheiro... isso não é uma verdadeira merda?
Claro porra! O dinheiro irá me dar prazer, pra poder comprar coisas, eu preciso de tênis com amortecimento de impacto, ipod, iphone, ipad?? Preciso de champanhe francês?
Não sei, mas me parece bom.
Foda-se, dinheiro é bom.
Mas a minha esperança é poder ganhar dinheiro e viajar. Porra!
Mas vejam que merda é esta... eu não posso viajar por exemplo agora porque não tenho dinheiro, e porque... eu preciso trabalhar pra ganhar... DINHEIRO, PORRAA!!!!
Mas que merda é essa, sistema pura bosta, escravidão.
Será que ninguém enxerga essa grande merda que fizeram?
Eu não posso.
Quem pode?
Vai toma no cu!
Criaram isso.
Bela bosta.

O escudo da escuridão

Silêncio. A garoa fina e gelada caia sobre o casaco, na boca o cigarro ainda ardia. A cidade estava queta, enquanto todos dormiam o dia caído. Jovens loiras do bairro higiênico sonhavam com seus namorados, os namorados com seus carros. A empregada doméstica dormia profundamente, o diretor da indústria de alimentos susurrava em pesadelos, sua mulher apenas... dormia... já os remédios de Caio surtiam efeito, dormia.
Silêncio! Quetude, a madruagada calada e a cidade morria?
Sua ultima tragada, para mais uma, na calada fria.
O estranho caminhava, atento aos olhares de ninguém.
Pombas noturnas mastigavam os farelos que vazavam das bocas esfomeadas, onde horas atrás o dia ainda vivia. Vivia.
De dia, Julia fora despedida, Ricardo conseguiu a promoção, a máquina de Daniel falhou, causando fila.
Nervosismo, espera, espera... as pessoas caladas se olham, é fila, caladas, com as calças molhadas sentem frio, fingem paciência medida.
Nas ruas, buzina, farol vermelho, congestionamento. Maria leva sua filha para o colégio tradicional, o filho de Jõao pede misérias no farol, Maria não abre o vidro pois chovia.
O dia nervoso corre na rinha.
Quanta gente, a maquina paga as contas, é tudo digital, números, é rápido é tecnologia.
Aguá, luz, telefone, aluguel, condomínio, cartão de crédito. É rápido, é tecnologia.
Perfume, sapato, vestido, relógio. O tempo dita o compasso, a linha, os ponteiros ferozes cobram resultados, metas, vidas.
Flávio e seu relógio de última geração, caixa selada, aço inoxidável, a prova de água, até 100 metros de profundida. Flávio não sabe nadar.
A cidade corre, o congestionamento enrosca, a fila aumenta.
O vestido da vitrine é moderno, é couro sintético.
O filho de Neto rouba a padaria, é detido e espancado, é vítima ou ladrão?
Quem sabe mais que a cidade, que assiste a compulsão de seus moradores...
Mas aos poucos, como feitiço ou maldição a tarde cai e o dia se esvai, sempre. Se não...
De dia a cidade dorme, na sua própria convulsão.
Mas a noite, os rostos cansados estão esgotados, dos senhores, das madames, dos empregados, dos empregadores.
Shhhhhhhhh!
Silêncio, enquanto todos dormem a cidade desperta, vazia mostra sua beleza, rude, concreta, escura, iluminada, vazia... mas linda.
Para poucos a cidade vazia revelas seus segredos, no tempo frio, na garoa gelada, já não sobra mais nada, apenas bons mistérios.